General Hospital - USA, em uma paciente submetida à amputação da perna, pelo cirurgião John Collins Warren, da Escola de Medicina de Harvard. Anestésicos empregados naquela época: éter, clorofórmio e óxido nitroso (conhecido como gás hílare). Assim Madelung, em 1884, na Alemanha, pôde remover a safena magna através de uma longa incisão na coxa e perna. Infelizmente, esse procedimento estava associado a um elevado grau de morbidade e mortalidade e foi abandonado(22.31.33.38.44).
Entretanto, o stripping cirúrgico das varizes foi primeiramente relatado por Keller nos Estados Unidos, em 1905, quando removeu a safena magna em segmentos, através de um arame torcido passado por sua luz, arrancando-a após amarrá-la em uma das extremidades do arame(22-52).
Em 1906, C. H. Mayo publicou o tratamento já realizado desde 1900 na Clínica Mayo, no qual utilizava um stripper extraluminal para remover a safena magna em segmentos. Um ano depois, em 1907 e adotando procedimento semelhante ao de Keller, Mayo idealizou um stripper intraluminal cuja extremidade terminava em "cabeça de oliva", muito parecido com alguns ainda utilizados atualmente(2.22.32.41).
Babcock, em 1907, também descreveu procedimentos semelhantes para o tratamento das varizes e retirada das safenas. Os primeiros resultados com o tratamento esclerosante das varizes por injeção intravaricosa de carbonato de sódio foi apresentado por Jean Sicard em 1920, na França(32,55) Linton, em 1938 se interessou pelo estudo das veias perfurantes. Dodd & Cockett, em 1956, publicaram um estudo clássico sobre patologia e cirurgia venosa dos membros inferiores, e assim tantos outros(2`22'32).
Entre nós, Correa Neto publicou, em 1935, provavelmente o primeiro trabalho sobre o tratamento cirúrgico das varizes(6). Mayall, em 1957, relatou estudo estatístico sobre varizes(40). Em 1961, Fernando Duque escreveu sobre varizes na gravidez(24). Pinto-Ribeiro & Medeiros, em 1964, falaram sobre a importância dos raios infravermelhos na documentação fotográfica das varizes(50). Puech-Leão publicou, em 1966, talvez o primeiro trabalho sobre cirurgia de varizes com objetivos estéticos(51). Cinco anos depois, Degni desenvolveu um fleboextrator menos traumático para as safenectomias(18-19). Nessa mesma época, de Brito também propôs um novo tipo de fleboextrator, que removia as safenas por inversão de sua luz, visando reduzir o trauma sobre os linfáticos e ramos nervosos adjacentes(11-12). Entretanto, coube a Tavares, em 1978, revolucionar o tratamento cirúrgico das varizes ao introduzir em nosso arsenal terapêutico as agulhas de croché, largamente utilizadas até hoje(38-54). |
PREVALÊNCIA
Em estudo epidemiológico realizado por Maffei, em indivíduos com mais de 15 anos, atendidos no Centro de Saúde Escola de Botucatu, em São Paulo, onde foram excluídas as gestantes, observou-se uma incidência de varizes de 47%, sendo 38% em homens e 52% nas mulheres. Analisando esses dados e considerando que 9% dos examinados procuram o Centro de Saúde por alguma queixa relativa aos membros inferiores, excluindo-se esses, a prevalência fica, então, em 38%(34-35-36).
Dados semelhantes também foram encontrados em certas populações da Nova Zelândia e dos Estados Unidos(7,10,34,35) Estudos similares em países ocidentais mostram incidências mais baixas, em torno de 20% para as mulheres e 10% para os homens(1-34-35). Populações mais primitivas da África e algumas ilhas do Pacífico Sul revelam prevalências ainda mais baixas, 2 a 7%(8,17,34,35) Acredita-se que essas discrepâncias possam estar relacionadas com a técnica empregada na colheita dos dados ou a idade das populações estudadas. Discute-se também a influência das diferenças geográficas e climáticas, raça, atividade laborativa etc.(1-4-5-34-35-36). Neste estudo ficou patente que as mulheres apresentavam duas a três vezes mais varizes que os homens, diferença estatisticamente significativa(34'35'36).
ETIOLOGIA
A verdadeira causa das veias varicosas permanece ainda desconhecida. Entretanto, a maioria dos autores ressaltam o fator familiar hereditário como um dos mais importantes. Mesmo autores que se posicionam contra, reconhecem que a constituição genética poderia tornar alguns indivíduos ou famílias mais propensas a desenvolver varizes(4.10.27.37.36).
Em geral, o conceito menos discutido é que a presença de varizes está associada à insuficiência valvular e debilidade da parede das veias acometidas, que não suportando a pressão sanguínea intraluminal, se dilataria tornando-se varicosa(4'27-32). Parece que o conceito da insuficiência ostial das croças das safenas ser considerado o fator determinante principal nos processos varicosos dos membros inferiores, está sendo substituído gradativamente pêlos estudiosos dessa patologia.
Vários fatores podem contribuir para a gênese das varizes essenciais ou primárias dos membros inferiores. Embora com opiniões controversas, a maioria dos autores relata idade (maior prevalência entre 30 e 50 anos); sexo (proporção homem/mulher 1:1,3 a 1:2,3); raça (alguns estudos mostram maior frequência entre brancos do que pretos e mulatos); número de gestações (aumenta a possibilidade de ocorrerem varizes); estimulação hormonal (estrogênios);
obesidade, postura predominante no trabalho (ortostatismo) etc. Contudo, ao que se sabe, é necessário que o indivíduo possua um fator predisponente constitucional próprio, que parece já ter nascido com ele(4-5-7-10-22-32-35-36). |