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VARIZES


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MONOGRAFIA



Varizes

Marcio Arruda Portilho (1,2,3)


As veias, em última análise, tem a função de conduzir o sangue de retorno ao coração. Quando algumas delas se dilatam e se tornam tortuosas, esse trabalho é prejudicado e, aparecem as varizes, às quais além do aspecto anti-estético, podem causar sintomas e complicações.

Vários locais do organismo podem apresentar varizes, como a região testicular – varicocele, o ânus – hemorroidas e o baixo ventre – varizes pélvicas; mas, indiscutivelmente é nos membros inferiores sua maior incidência.

Essa doença é muito importante pela grande frequência na população – cerca de 30% - particularmente no sexo feminino (provavelmente por razões hormonais) em sua fase de vida mais produtiva. Estima-se que aproximadamente 70% das mulheres com mais de 30 anos, apresentem varizes.

Na maioria das vezes, essa doença tem caráter hereditário, originada por uma fraqueza estrutural na parede das veias – são as chamadas varizes primárias ou essenciais. Há entretanto casos mais raros de varizes secundárias à outras doenças como as flebites, malformações vasculares e fístulas arteriovenosas.

Também relacionados à sua gênese ou ao seu agravamento, estão outros fatores, ditos contribuintes, como:

Hormônios – é comum observarmos o aparecimento ou piora com o uso de pílulas anticoncepcionais, durante as menstruações e gravidez, bem com durante a reposição hormonal pos menopausa.

Profissão – a longa permanência de pé parado, ou sentado com as pernas pendentes, como é solicitado por exemplo dos garçons, dentistas, barbeiros, secretárias, balconistas, cirurgiões e donas-de-casa, interperem por acrescentar tarefa adicional às veias. Estas tem que vencer a força da gravidade, para exercer sua função.

Outros – tais como a obesidade, o sedentarismo, tosse crônica e prisão de ventres.
Além do aspecto anti-estético, as varizes podem causar sintomas desagradáveis como: sensação de peso, dor, queimação, formigamento, caimbras~; bem como em fases mais avançadas, à complicações, como: inchação, manchas escuras na pele, flebites e até feridas de difícil cicatrização. Assim, observamos preocupação em ësconder”as pernas, incapacidade para realizar tarefas habituais, incômodos especialmente durante longas viagens e afltas ao trabalho, mais frequentes na fase menstrual, apenas para citar alguns dos inconvenientes.

Por isso, não apenas para o embelezamento, mas também para manter a saude das pernas, é fundamental o tratamento! Este, quanto mais precoce for seu início, mais rápidos e estéticos serão seus resultados.

Toda variz deve ser combatida! Varia apenas o tipo de conduta mais adequada para cada caso, o que depende do calibre, quantidade e localização das veias acometidas. É importante salientar também que, quando falamos em tratamento, não estamos nos referindo à erradicação definitiva, por toda a vida do problema e sim, ao desaparecimento das varizes que estiverem presentes no momento em questão. Assim, nada impede que a pessoa reapresente varizes posteriormente e, necessite trata-las novamente. São novas varizes que apareceram e não as mesmas que voltaram, como se costuma ouvir com certa frequência.

Existem basicamente tres tipos de tratamentos disponíveis, não raramente sendo necessário utilizar mais de um ou todos, no mesmo paciente.

O mais comum é a escleroterapia, ou seja, a injeção de medicamentos no local, através de diminutas agulhas. Está indicado para as pequenas veias dilatadas da pele, também chamadas de aranhas, vasinhos, varícolas ou telangectasias. Além de não interferir com as atividades costumeiras (não requer repouso após as aplicações), é indolor, não causa reações colaterais, praticamente isenta de complicações e é eficaz, desde que realizada por profissional capaz e habilitado – o Angiologista.

Ultimamente tem sido divulgadas outras formas de escleroterapia, como por exemplo, através dos raios laser. Esta modalidade tem se difundido mais entre médicos de outras especialidades, como Dermatologistas. Poucos angiologistas o utilizam, por alguns inconvenientes:

Inexistem trabalhos científicos respaldados, que relatem resultados a longo prazo, posto que é método relativamente recente.

Não pode ser usado em todos os pacientes, por exemplo nos indivíduos de pele escura; é tartamento de alto custo, os pacientes referem dor (queimadura) durante a aplicação e, manchas claras e atrofia da pele.

É bom deixar claro, ao contrário do que muitos pensam, o tratamento pelos raios laser é preconizado para substituir a escleroterapia e, nada tem a ver com o tratamento cirúrgico.
A cirurgia remove veias maiores, que não devem (e não podem) ser tratadas pela escleroterapia, sob o risco de não ser eficaz e poder levar a complicações como as flebites e até mesmo a embolia pulmonar. O especialista pelo exame físico ou com a ajuda da Dopplerometria, é capaz de reconhecer este tipo de varizes.O aspectopositivo aqui, é que hoje em dia, na grande maioria dos casos esse tratamento pode ser realizado sob anestesia local e através de micro-cortes, que não necessitam de pontos para o fechamento da pele, melhorando muito o resultado estético e reduzindo praticamente a “zero” os riscos e complicações da operação.

Por último, mas não menos importante, temos o tratamento clínico, atrvés de medidas gerais e medicamentos, que embora não cure, alivia os sintoomas e previne o agravamento da doença. Portanto, quase sempre é usado, ou associado à escleroterapia e à cirurgia.
Como medidas gerais, devemos combater os fatores contribuintes citados no início. Assim, evitar o ortostatismo prolongado, dando ao menos pequenas caminhadas, sempre que a ocasião permitir durante o trabalho e, fazendo repouso com as extremidades elevadas, ao sentar para ler, assistir TV, costurar, ou mesmo durante o sono.

Também devemos combater o sedentarismo, praticando regularmente exercícios físicos, pois estes favorecem a circulação. Caminhar, correr, hidroginástica, natação e ciclismo, bem como quase todos os tipos de exercícios são benéficos. O remo, o halterofilismo, bem como qualquer tipo de esforço brusco e violento deve ser evitado. Aqui não se inclue a ginástica com pesos e em aparelhos, que também podem ser realizadas, desde que sob supervisão adequada. O uso de saltos altos, de base larga, da mesma forma que o subir e descer escadas, beneficia o paciente, pois aumentam a atividade das “batatas das pernas”, muito ao contrário do que costumeiramente se fala.

Deve-se combater a obesidade, restringir ao necessário o uso de hormônios, bem com tratar outras doenças que porventura possam estar associadas. O uso de medicamentos específicos, os chamados flebotrópicos, é útil para aliviar sintomas e minimizar complicações, devendo ser prescritos em associação aos outros métodos descritos.

Para finalizar, consideramos fundamental o uso de meias elásticas no tratamento clínico das varizes.No entanto, é preciso conhecer o momento adequado de iniciar seu uso, bem como o tipo indicado (tamanho e compressão), para cada caso. O especialista deve ser consultado, pois a utilização de forma incorreta pode ser prejudicial. De qualquer forma, o momento ideal para calça-las, é imediatamente após repouso com elevação das pernas. Não se deve por exemplo, passar o dia em atividade e à noite calça-las para viajar, ou muito menos para dormir !


1. Membro Titular e Especialista da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular,
2. Membro Titular do Colégio Brasileiro de Cirurgiões,
3. Membro do Conselho Científico da SBACV e do Conselho Consultivo da SBACV-RJ.

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